então você é amado?
armado de mentiras
eu, melhor amigo.
o cabelo desse anjo
te borbulha no inferno.
e é verão.
meu irmão!
isso é vício de linguagem
seu convívio
ou via(da)gem.
seu suco em pó
seu surto em pó
solto no ar.
como é doce
e doze vômitos provoca.
engole isso
em goles curtos
pra morrer como esperto.
eu te quero
bem perto
das flores
- que fraternal! -
(no final há uma rima)
quinta-feira, 23 de julho de 2009
quarta-feira, 10 de junho de 2009
à vida
é a manhã de sua morte.
veste seu terno preto
que não é luto.
à vista é o primeiro que vem.
não anda de trem.
não treme seu carro
tão caro
quanto os filhos
e as unhas do pé.
senta na cadeira
que beira o iminente
mentindo como sempre
como sou feliz.
a cama prevê
e a TV acalma.
no escuro, um beijo na mulher
e acorda
sem a corda
o pendurar...
mas esse cara não ia morrer?
veste seu terno preto
que não é luto.
à vista é o primeiro que vem.
não anda de trem.
não treme seu carro
tão caro
quanto os filhos
e as unhas do pé.
senta na cadeira
que beira o iminente
mentindo como sempre
como sou feliz.
a cama prevê
e a TV acalma.
no escuro, um beijo na mulher
e acorda
sem a corda
o pendurar...
mas esse cara não ia morrer?
terça-feira, 9 de junho de 2009
duas (e mais) putas
por que não continua suas notas?
essas dispostas
a fazê-los chorar.
não se enganam,
claro.
dizem amém.
você também é puta.
nem se pudesse
essa prece
ajudaria uma vadia.
é só o sonho
daquela tia
que sou eu.
também tem pele e músculos.
bem repele os músculos
chorando pelos poros
com olhos embriagados.
eu
não como você
bebo por outra
parte do corpo.
essas dispostas
a fazê-los chorar.
não se enganam,
claro.
dizem amém.
você também é puta.
nem se pudesse
essa prece
ajudaria uma vadia.
é só o sonho
daquela tia
que sou eu.
também tem pele e músculos.
bem repele os músculos
chorando pelos poros
com olhos embriagados.
eu
não como você
bebo por outra
parte do corpo.
terça-feira, 26 de maio de 2009
pra não dizer que não falo sobre mim
não preciso entrar em lugares comuns e dizer que as mães exercem gigantesca influência em seus filhos, direta ou indiretamente.
pois bem, a minha acaba de vomitar em mim, seu filho viado, bêbado e maconheiro.
por isso postarei um poema antigo, ruim como os que já escrevi e os que ainda não foram regurgitados, mas acho pertinente tanto pra dar ao blog um quê de autobiográfico quanto pra encher linguiça, pois não publico merda alguma aqui há alguns dias...
da rua os garotos me fumam
com prazer de quem quer ver
além das cinzas de um corpo
há muito esquecido.
o espelho me cospe à cara
nada rara e semelhante
que dorme com seca saliva
morta, que se acha viva.
e o sono e os garotos e a porra
escorrem das narinas cheiradas
que não cheiram mais.
mamãe grita palavras tais
que outra ouviu: um vagabundo!
tão fumado, mas sozinho imundo.
pois bem, a minha acaba de vomitar em mim, seu filho viado, bêbado e maconheiro.
por isso postarei um poema antigo, ruim como os que já escrevi e os que ainda não foram regurgitados, mas acho pertinente tanto pra dar ao blog um quê de autobiográfico quanto pra encher linguiça, pois não publico merda alguma aqui há alguns dias...
da rua os garotos me fumam
com prazer de quem quer ver
além das cinzas de um corpo
há muito esquecido.
o espelho me cospe à cara
nada rara e semelhante
que dorme com seca saliva
morta, que se acha viva.
e o sono e os garotos e a porra
escorrem das narinas cheiradas
que não cheiram mais.
mamãe grita palavras tais
que outra ouviu: um vagabundo!
tão fumado, mas sozinho imundo.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
o velho safado e a morte gostosa.
se vc está se perguntando... sim, o velho safado a que me refiro é o bukowski (não vou dizer quem é pois quem lê essa merda aqui são meus amigos e eles - vocês - já conhecem o bêbado-tarado-escatológico-e-também-escritor). e não, não quis dizer que a morte é algo que saboreamos como uma lasanha feita pela mamãe no fim de semana... é a Dona Morte com seu vestido vermelho decotado, uma visão tão paudurescente que mesmo os gays e a mulheres se excitam!
é assim que o velho buk nos apresenta esse elemento inexorável pra todos nós em seu último romance, Pulp (1994), finalizado meses antes de morrer (coincidência?). a obra é dedicada pelo autor à subliteratura e já nas primeiras páginas percebe-se que esse estilo literário (pode-se chamar assim?) é quem agradecerá ao poeta, contista e romancista.
nick belane é mais um detetive decadente de L.A. mergulhado em um espaço obscuro (tanto físico quanto psicológico). é um personagem que se deixa levar por elementos externos, menos procura do que é procurado e alterna seu humor de acordo com seus encontros e desencontros, erros e acertos. ora se sente um completo derrotado, ora o maior detetive da cidade. em meio a personagens humanos, alienígenas e a gostosa Dona Morte há uma constante reflexão sobre a vida e também seu fim:
é assim que o velho buk nos apresenta esse elemento inexorável pra todos nós em seu último romance, Pulp (1994), finalizado meses antes de morrer (coincidência?). a obra é dedicada pelo autor à subliteratura e já nas primeiras páginas percebe-se que esse estilo literário (pode-se chamar assim?) é quem agradecerá ao poeta, contista e romancista.
nick belane é mais um detetive decadente de L.A. mergulhado em um espaço obscuro (tanto físico quanto psicológico). é um personagem que se deixa levar por elementos externos, menos procura do que é procurado e alterna seu humor de acordo com seus encontros e desencontros, erros e acertos. ora se sente um completo derrotado, ora o maior detetive da cidade. em meio a personagens humanos, alienígenas e a gostosa Dona Morte há uma constante reflexão sobre a vida e também seu fim:
"Não estava indo a lugar nenhum nem o resto do mundo. Estávamos todos rondando por aí, à espera da morte, e enquanto isso fazemos coisinhas para encher o tempo. Alguns nem faziam coisinhas. Eram vegetais. Eu era um deles. Não sei que tipo de vegetal. Me sentia um nabo. Acendi um charuto, traguei e fiquei fingindo que sabia que diabos acontecia."
[puta que pariu! não consigo consertar o tamanho das letras a partir dessa citação, vai ficar assim mesmo... um dia uma alma caridosa me ensina a mexer nessa merda!]
mas apesar das aparências, o romance não é totalmente pessimista. a escrita de bukowski é ácida, engraçada, escatológica e, claro, sexy (mesmo que por vezes em um sentido, digamos, deturpado).
enquanto isso espero minha morte sob a metáfora de um homem beeeem gostoso, que me pegue de jeito! e se tiver que ser a Dona Morte, finjo que sou bissexual e me delicio também com aquela gostosa...
segunda-feira, 18 de maio de 2009
também tenho um poema metalinguístico
por que sempre escrever
sobre viagens
viados anestesiados
pela dor, alegria
droga...
que estrofe de merda!
a fuga das palavras
ultrapassa a vida e
desenha o papel
- ou vice-versa –
você viu o verso?
o próximo não vai pro céu.
porra, cadê o próximo?
deus censurou.
rasgou esse pedaço da folha
pra fumar seu
baseado
em quê?
...
acabou.
então fui pra internet
já meio inerte.
de larica.
o word abriu sozinho.
deus?
porra nenhuma!
porra nenhuma vai pro blog.
sobre viagens
viados anestesiados
pela dor, alegria
droga...
que estrofe de merda!
a fuga das palavras
ultrapassa a vida e
desenha o papel
- ou vice-versa –
você viu o verso?
o próximo não vai pro céu.
porra, cadê o próximo?
deus censurou.
rasgou esse pedaço da folha
pra fumar seu
baseado
em quê?
...
acabou.
então fui pra internet
já meio inerte.
de larica.
o word abriu sozinho.
deus?
porra nenhuma!
porra nenhuma vai pro blog.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
matrimônio
no dia de seu casamento
nem o vento para.
as pessoas, os cães
as mães, as mãos inquietas
tocando o piano
do seu plano de queda.
por que o susto ao se ver
no altar duplicado?
dois vocês é o que queria.
ria de si mesmo ao escovar
os dentes.
é você ao espelho.
dormir, dormir, trepar, dormir.
r-r-r-r-r-r-r-roncar...
o cheiro de sua merda
nem te incomoda.
seu você-em-outro também
gosta de cheirá-lo.
amá-lo para sempre,
ah, claro que vai.
um boneco de foder
vai ver lá fora.
o de dentro fará o mesmo.
ele ainda é você.
nem o vento para.
as pessoas, os cães
as mães, as mãos inquietas
tocando o piano
do seu plano de queda.
por que o susto ao se ver
no altar duplicado?
dois vocês é o que queria.
ria de si mesmo ao escovar
os dentes.
é você ao espelho.
dormir, dormir, trepar, dormir.
r-r-r-r-r-r-r-roncar...
o cheiro de sua merda
nem te incomoda.
seu você-em-outro também
gosta de cheirá-lo.
amá-lo para sempre,
ah, claro que vai.
um boneco de foder
vai ver lá fora.
o de dentro fará o mesmo.
ele ainda é você.
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