o pai de K. estava prestes a nascer. roupas para bebês, sim. obrigada! o homem que a acompanhava - um conhecido, talvez - mostrava-lhe camisetas como as de qualquer rescém-nascido.
não há identidade!
ANTIDADE
IDADE
DE
E a moça do caixa , que era três ou quatro reais menos práti-que-k demorou para acertar o cartão na máquina. K. pensava duas máquinas por quê?
por que esses dois corpos que são só pés ossos e ás me incomodam?
K. saiu da loja com o homem cuja face ignorava e microuniformes do botafogo, time pelo qual seu pai sempre torceu.
domingo, 22 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
onde está a outra personagem?
voltava da rua ainda com aquele andar infantil e os olhos de carrasco. o vestido branco estava um pouco sujo.
sempre pensava no banheiro. sempre pensava. pensava no mendigo que acabara de espancar na rua. o sangue de sua menstruação descia do nariz enfiado em sua boceta. usava os dedos enquanto olhava pro corpo. K. lembrou-se então do cheiro e líquido que descia da face de seu pai estirado na rua. gozou.
sempre pensava no banheiro. sempre pensava. pensava no mendigo que acabara de espancar na rua. o sangue de sua menstruação descia do nariz enfiado em sua boceta. usava os dedos enquanto olhava pro corpo. K. lembrou-se então do cheiro e líquido que descia da face de seu pai estirado na rua. gozou.
domingo, 15 de agosto de 2010
o banho – ou como J. K. e R. enxergam os próprios corpos
a água escorre indiferente assim como pele músculo ossos e veias. J. sente na vagina e (resto de) pregas uma vida que não serviu para nada. não olhava para o corpo, que, afinal, não pertencia a ela.
nota-se que há espelhos por todo o banheiro. o corpo é belo. o corpo é belo. o corpo é belo. o corpo é belo. o corpo é belo. isso é tudo que precisam saber sobre R.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
a moça e o mendigo
no dia em que fui pega espancando um mendigo só gritavam absurdo! que absurdo! como é capaz de fazer isso uma garota tão bonita? não entendi a reação das pessoas...
o mindingo-digo-mendigo vale quanto? 75 centavos a menos depois das compras, ouvi a mulher do terceiro absurdo pensar. para o homem do primeiro valia menos.
eu só queria que ele sentisse (mais) dor pois o odor é forte na calmaria.
mas ela veio e, quando o cheiro de merda e suor se fez presente mais uma vez no ar narinas boca etc. o homem, com os buracos da estrada no rosto e a gasolina do senhor a escorrer pelo nariz, me disse obrigado, moça. por nada.
o mindingo-digo-mendigo vale quanto? 75 centavos a menos depois das compras, ouvi a mulher do terceiro absurdo pensar. para o homem do primeiro valia menos.
eu só queria que ele sentisse (mais) dor pois o odor é forte na calmaria.
mas ela veio e, quando o cheiro de merda e suor se fez presente mais uma vez no ar narinas boca etc. o homem, com os buracos da estrada no rosto e a gasolina do senhor a escorrer pelo nariz, me disse obrigado, moça. por nada.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
o que a morte tarda a matar
a escova de dentes
grandes morde a língua
do garoto esperto.
perto de casa,
a bola pronta para jogar.
jog-ar nos pulmões
vazios de sentido.
enquanto a boca abre
a janela fecha
para se quebrar
o garoto quer comer
seus hamburgueses
que o Big Mc Brother
insiste em vigiar.
em conserva
a virgindade
de idade avançada
vira pelos
cortados sem dó.
eles crescem
sem centímetros dor
após a morte
precoce
que não vê
a língua - só cabelo.
soca, belo.
belo
elo
eu.
grandes morde a língua
do garoto esperto.
perto de casa,
a bola pronta para jogar.
jog-ar nos pulmões
vazios de sentido.
enquanto a boca abre
a janela fecha
para se quebrar
o garoto quer comer
seus hamburgueses
que o Big Mc Brother
insiste em vigiar.
em conserva
a virgindade
de idade avançada
vira pelos
cortados sem dó.
eles crescem
sem centímetros dor
após a morte
precoce
que não vê
a língua - só cabelo.
soca, belo.
belo
elo
eu.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
esquisitofrenia
pra viver como esses outros
encostos
ela tem que parecer normal.
há os que te chamam de louco,
mas essas formigas de bunda
maior que a cabeça,
esqueça.
é moderninho eu-você?
um imbecil,
um empecilho
praquele planeta
azul
ali embaixo.
tá vendo?
e converso tanto assim comigo!
tanto assim o (in)verso inimigo
amigo daqueles outros
de quem falei na primeira estrofe.
minha letra mudou de lá pra cá
você percebeu, né?
a pá que lacra mudou seu túmulo
de lugar.
a cada verso uma ou outra
voz doída é parida.
eu só sei fingir
e fugir desse outro...
é! o filho de deuscomletraminúscula
que me diz: tudo fica bem se você
vira mais uma puta do criador!...
e não há dor.
não adormeci ainda
ao som de mil vozes minhas
ex-vozes minhas, pois já tá escrito
que eu não quero chupar o pai.
puta!
amputa o verso
onde a conversa
é feita por donas de casa
casa, asa, saia daqui
pela porta, janela
direto a um não-lugar
onde seu buraco esteja cavado.
encostos
ela tem que parecer normal.
há os que te chamam de louco,
mas essas formigas de bunda
maior que a cabeça,
esqueça.
é moderninho eu-você?
um imbecil,
um empecilho
praquele planeta
azul
ali embaixo.
tá vendo?
e converso tanto assim comigo!
tanto assim o (in)verso inimigo
amigo daqueles outros
de quem falei na primeira estrofe.
minha letra mudou de lá pra cá
você percebeu, né?
a pá que lacra mudou seu túmulo
de lugar.
a cada verso uma ou outra
voz doída é parida.
eu só sei fingir
e fugir desse outro...
é! o filho de deuscomletraminúscula
que me diz: tudo fica bem se você
vira mais uma puta do criador!...
e não há dor.
não adormeci ainda
ao som de mil vozes minhas
ex-vozes minhas, pois já tá escrito
que eu não quero chupar o pai.
puta!
amputa o verso
onde a conversa
é feita por donas de casa
casa, asa, saia daqui
pela porta, janela
direto a um não-lugar
onde seu buraco esteja cavado.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
sonífero
eu só quero dormir.
não me importa que
acorde
de seu violão
às seis faça o barulho
de cem gralhas
empalhadas na parede.
é tudo silêncio
mesmo que me lembre
dos ouvidos
entupidos de cera.
será que só minha cabeça grita?
não me importa também
quem me toca
por debaixo do lençol.
meu Remédios
é subir ao céu
ao som dessa canção
que me dá sono, não horror.
e eu só quero dor... rrr... rrrrrr...
não me importa que
acorde
de seu violão
às seis faça o barulho
de cem gralhas
empalhadas na parede.
é tudo silêncio
mesmo que me lembre
dos ouvidos
entupidos de cera.
será que só minha cabeça grita?
não me importa também
quem me toca
por debaixo do lençol.
meu Remédios
é subir ao céu
ao som dessa canção
que me dá sono, não horror.
e eu só quero dor... rrr... rrrrrr...
Assinar:
Postagens (Atom)